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Silvicultura – Nelson Barboza Leite – A silvicultura e a clonagem de eucalipto

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Silvicultura – Nelson Barboza Leite – A silvicultura e a clonagem de eucalipto

07/09/2015 – A evolução tecnológica da silvicultura brasileira tem sido caracterizada por grandes desafios e soluções importantíssimas. Deixam marcas bem definidas no desenvolvimento da atividade: as introduções de materiais genéticos, a evolução dos programas de melhoramento, o grande salto com a adubação mineral, as melhorias na produção de mudas, a substituição do machado pela motosserra e por aí vai…

Há, no entanto, marcos que merecem destaques especiais. A clonagem de eucalipto por enraizamento de estacas é uma referência tecnológica! Destaque especial pelos benefícios trazidos à produtividade das florestas, à competitividade da indústria florestal brasileira e acima de tudo, pela demonstração de competência e arrojo dos profissionais, que introduziram o plantio clonal em escala comercial no Brasil.

A silvicultura deve render respeitosos cumprimentos a toda equipe de profissionais da Aracruz Celulose S.A., sob o comando do Engenheiro Florestal Edgard Campinhos Júnior e de seu Diretor Leopoldo Garcia Brandão.

Em 1970, o maior empreendimento florestal que vinha sendo implantado, de repente, se via ameaçado pelo cancro basal do eucalipto que ataca a casca da base do tronco, expondo o lenho. Extensa área florestada e preparada para abrigar o maior projeto de celulose de eucalipto do mundo, se via atacada por desconhecido fungo. Parecia o fim do grande empreendimento e o surgimento desastroso de uma ameaça à promissora silvicultura brasileira! Os esforços foram gigantescos e a empresa não poupou recursos para que o Eng. Campinhos e sua dedicada equipe rodassem os centros de pesquisas do Brasil e do mundo inteiro na procura de informações científicas, que pudessem indicar alternativas para solucionar o grande problema identificado na Aracruz Florestal.

Era, na verdade, questão de sobrevivência para o maior empreendimento florestal brasileiro!  Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, entre inúmeros outros países foram visitados e os mais famosos pesquisadores internacionais foram consultados. No Brasil, da mesma forma, pesquisadores e instituições de pesquisas foram envolvidas no grande problema da Aracruz. Segundo os próprios pesquisadores, a credibilidade, o incansável apoio e o incentivo da empresa, dos próprios concorrentes e das instituições de pesquisas, transformaram-se em alento permanente na procura da solução. Há muitos, que apontam o “problema do cancro do eucalipto” como um dos grandes desafios superado pela silvicultura brasileira e exemplo de postura empresarial na procura de solução científica para questões operacionais.

Segundo o Eng. Campinhos, em 1973, a “ficha caiu” numa visita ao Centro de Pesquisas Florestais do CSIRO, em Coff’s Harbour, na Austrália, observando os trabalhos do Professor Lindsay Pryor, que fazia propagação vegetativa de estacas de eucalipto, utilizando técnicas aprendidas no Congo com pesquisadores franceses! Dali em diante, foi uma corrida contra o tempo, de toda a equipe de pesquisa que dava sustentação ao programa.

Foram significativos exemplos de dedicação profissional, investimentos empresariais e credibilidade nos trabalhos científicos. Em 1978, a Aracruz iniciava os plantios clonais em escala comercial. Em viveiro moderníssimo, a empresa passava a produzir milhões de mudas clonadas e iniciava uma nova história da silvicultura brasileira! O cancro tinha sido vencido, a produtividade cresceu em volume de madeira/hectare/ano e em rendimento de celulose/m3 de madeira, viabilizando a indústria.

Essa superação tecnológica foi reconhecida internacionalmente. O Eng. Campinhos e o Dr. Leopoldo Brandão receberam inúmeras e merecidas homenagens no Brasil e no exterior. Em 1984, a equipe da Aracruz, composta por seu Diretor Florestal (Leopoldo Garcia Brandão), pesquisadora (Yara Kiemi) e silvicultor (Edgard Campinhos Júnior) receberam na Suécia, o Prêmio Internacional Marcus Wallemberg, destinado aos trabalhos de desenvolvimento florestal ligado à indústria.

Essa premiação selou uma extraordinária contribuição à silvicultura brasileira e o reconhecimento internacional pelo trabalho da brilhante equipe de profissionais, que se doaram de corpo e alma na solução do problema de uma empresa. Essas conquistas e esses exemplos merecerão o eterno reconhecimento, respeito e admiração de todos os silvicultores brasileiros!

Nelson-Barboza-Leite* Nelson Barboza Leite é engenheiro agrônomo – silvicultor e atualmente Diretor da Teca Empreendimentos Florestais e Daplan Florestal. Trabalhou em empresas florestais, indústrias, instituições de pesquisas e presidiu a SBS. Também foi Diretor Florestal da ECO Brasil Florestas. (Contato: [email protected])

 

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Sobre o Autor
Nelson B, Leite - Silvicultura
Nelson B, Leite - Silvicultura
é engenheiro agrônomo - silvicultor. Trabalhou em empresas florestais, indústrias, instituições de pesquisas e presidiu a SBS. Atualmente é Diretor da Teca Serviços Florestais e Daplan Serviços Florestais.
1Comentários
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  • Celso M. Chagas
    janeiro 6, 2016 at 15:52

    Prezado Nelson…
    Mais uma vez voce registrou um momento importantissimo da história da silvicultura brasileira, de uma maneira rapida e inteligente…
    Parabens e que em 2016 voce continue nos proporcionando esses momentos de técnicas, saudades e recordações.
    Um grande abraço

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