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Novas fronteiras, a produtividade das florestas e a bolinha!

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Novas fronteiras, a produtividade das florestas e a bolinha!

Nelson Barboza Leite, em seu novo artigo, esmiúça os desafios enfrentados por silvicultores

Novas fronteiras, produtividade das florestas e longo prazo são questões indissociáveis! E tem tudo a ver com o sucesso de empreendimentos florestais nessas regiões. Essa migração para áreas com condições edáficas e climáticas diferentes, sem mão de obra experiente e falta de informações técnicas têm sido e continuará sendo um grande desafio da silvicultura.

A expansão e crescimento do setor vão passar, obrigatoriamente, por essas novas fronteiras, mas a falta de pesquisas e informações vai continuar, por algum tempo, um desafio a ser superado. À semelhança de casos do passado, os que acreditam e respeitam a sequência natural dos fatos, sempre são muito bem recompensados! Essas dificuldades terão que ser superadas.

Nos dias atuais, a atuação nessas regiões, ainda se reveste de dúvidas e polêmicas. E o filme tem se repetido! A silvicultura chega e se exige que o silvicultor traga na bagagem a receita para todas as dificuldades a ser enfrentadas. E só se fala em produtividade lá em cima! Nem adianta discutir! Sem isso, a TIR inviabiliza o empreendimento e o trabalho nem começa! E, normalmente, se ouve: “não me venha com muita engenharia, mais isso, ou mais aquilo”.

Empreendimentos, nessas regiões, necessitam de tempo para testes e experimentações. Mas se o programa, por qualquer motivo, for paralisado no meio do caminho, a situação fica dramática e, praticamente, deixa-se de ganhar com todo o aprendizado. Muitos investidores acreditam que, tendo dinheiro, algumas cobranças daqui e dali, acompanhada dos cronogramas, tudo se resolve! Quem é do setor sabe que isso é “quase um sonho” para regiões, onde tudo é desconhecido.

Numa reunião técnica, tivemos oportunidade de conhecer uma história interessante. Ouvimos, atentamente, a narrativa apresentada por profissional muito competente e com alguns “milhões de árvores plantadas”. Conversa de gente responsável! Narrativa cheia de curiosidades e rica de exemplos e mensagens. Lições de vida e muita experiência profissional! No mínimo, imperdível para uma boa reflexão!

Tratava-se de empreendimento instalado em região, sem nada! Nova fronteira, de fato! Sem informação técnica, terras baratas, mão de obra sem experiência e tudo a ser feito! Apesar das enormes dificuldades, tratava-se de atraente desafio. Numa narrativa pausada e firme, foi colocado: “São marcantes as fases do empreendimento e os seus envolvimentos – começa com investidores entusiasmados e querendo o máximo de tudo: plantar o mais que puder, fazer o que for necessário para se ter o melhor empreendimento! Muitas promessas, compromissos com comunidades, licenciamentos, enfim… tudo, a todo vapor”!

E o narrador de forma maliciosa colocou: “Até se desconfiava de tanta disposição inicial para quem pretendia plantar um mundo de floresta”. E o profissional continuou: “A silvicultura foi iniciada com programas pequenos e praticamente todo plantio para teste”. Na verdade, para quem vai plantar uma grande área é natural quese inicie os trabalhos com testes, e em quantidade. Nos anos seguintes, vão se fazendo as correções e adequações. Esse é o procedimento responsável a ser adotado nas novas regiões. E a conversa do engenheiro continuava: “Depois de alguns anos,quando os conhecimentos se consolidavam, o empreendimento foi paralisado e ficamos no meio do caminho! E ponderou: “Em seguida, o inventário, incluindo todas as áreas experimentais, mostrou que a média de produtividade das florestas plantadas estava aquém do esperado”. E explicou: “A média dessas áreas experimentais não podia ser diferente, mas essa diferença gerou enorme polêmica”.

A narrativa continuou, mas, para nossa reflexão, essa parte da história é suficiente. E então? Onde está o erro? De quem é a responsabilidade pela produtividade aquém do esperado? O próprio profissional colocou meio indignado: “Um grande empreendimento exige testes e quando começa a ter informações, paralisa tudo! Os profissionais são responsáveis? Ou faltou comprometimentodos empreendedores com o programa de longo prazo”? O ponto alto da reunião foi quando um ouvinte falou: “faltou ao nosso amigo a bolinha”. E completou: “o investidor ouve falar que floresta é bom negócio, e acredita que a silvicultura tem tudo resolvido” e foi além: “esquecem que a silvicultura precisa de tempo para completar a receita do bolo”. E concluiu: “numa dessas aventuras, todos perdem. A silvicultura, as comunidades e os próprios investidores” e mais: “um empreendimento florestal em região nova precisa de tempo para pesquisas e os empreendedores precisam saber que a experiência profissional resolve muitos problemas, a médio e longo prazo, mas, no curto prazo, só com bolinha de cristal”.

O interessante é que, após a narrativa, plantou-se um silêncio geral no ambiente! Só foi quebrado, quando alguém falou: “conheço vários casos semelhantes”. Daí, muitos risos e alguns confessaram terem passado pelo mesmo calvário. Fica para registro, reflexão dos silvicultores amigos, e a torcida para que os novos filmes não sejam interrompidos no meio do caminho!

Nelson Barboza Leite é silvicultor com atuação em todo o País.

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Sobre o Autor
Nelson B, Leite - Silvicultura
Nelson B, Leite - Silvicultura
é engenheiro agrônomo - silvicultor. Trabalhou em empresas florestais, indústrias, instituições de pesquisas e presidiu a SBS. Atualmente é Diretor da Teca Serviços Florestais e Daplan Serviços Florestais.
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