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A matemática que coloca a sustentabilidade como a mola propulsora da economia brasileira

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A matemática que coloca a sustentabilidade como a mola propulsora da economia brasileira

No ano passado, mais de 190 países firmaram um pacto mundial com o objetivo de mitigar as mudanças climáticas e conter o aquecimento global, visando conter o aumento da temperatura média global em 2oC em relação à era pré-industrial. Estes compromissos, que deverão ser colocados em prática a partir de 2020, farão com que governos primem pela baixa emissão de carbono, adotando novas políticas e consumindo produtos mais sustentáveis.

 

Diferente do que se cogitou anteriormente, a saída momentânea dos Estados Unidos do Acordo do Clima, determinada pelo Presidente Donald Trump, não enfraquecerá tais obrigações. Ao contrário, exigirá um esforço ainda maior de seus  integrantes, uma vez que, segundo pesquisadores, a maior economia do mundo emite aproximadamente três bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano na atmosfera, o que deve aumentar a temperatura da Terra entre 0,1º e 0,3º C até o final do século. Assim, os países industrializados ficam ainda mais pressionados a melhorar seus processos industriais para contribuir com as metas do clima, potencializando assim, as importações por matérias-primas e produtos que gerem menor impacto ambiental.

 

Nesta matemática em que o resultado deve ser a melhoria climática, soma-se outro indicador. De acordo com a Organização das Nações Unidas o mundo vive um crescente avanço populacional – com previsão de alcançar quase 10 bilhões de pessoas até 2050 -, o que aumentará consequentemente, o consumo e a fabricação de produtos. Estima-se que apenas a demanda por madeira crescerá três vezes neste período, o que exigirá 250 milhões de hectares adicionais de florestas plantadas –  área equivalente à soma do território ocupado por Alemanha, Espanha, Finlândia, França, Itália e Noruega.  Eleve este item ao quadrado, pois a madeira será uma das mais importantes alternativas para substituir o uso de produtos de origem mineral e fóssil, ocupando lugar de destaque entre os principais agentes de formação desta nova economia de baixo carbono.

 

População crescente, multiplicação da demanda por produtos e redução do impacto ambiental: essa será uma equação que diversos países não conseguirão solucionar sozinhos.  Considerando as perspectivas mundiais, é fácil perceber que o Brasil, representado pela sua indústria de árvores plantadas com produção 100% sustentável, é forte candidato entre os países com potencial para atender esta demanda.

 

Além de compor o quinto maior território do planeta, com área disponível para crescer a sua produção florestal – hoje, a indústria de árvores plantadas detém menos de 1% do território nacional, com 7,8 milhões de hectares – o Brasil já possui a melhor tecnologia arbórea do mundo, ocupando a liderança em produtividade florestal com mais de 36 m³/ha.ano.  Nossas indústrias sustentáveis têm espaço e recursos para crescerem de forma ágil.

 

As indústrias do setor de árvores plantadas no Brasil ainda se utilizam de técnicas que são referências em sustentabilidade para outros países. É o caso das plantações em mosaicos, que consideram a gestão da paisagem e intercalam florestas produtivas com florestas naturais, formando os chamados corredores ecológicos, que preservam os ecossistemas naturais e a biodiversidade, mantém a qualidade do solo e dos recursos hídricos e favorecem a circulação das diferentes espécies, garantindo alimentação e abrigo.

 

E os diferenciais competitivos dos produtos florestais brasileiros não param por aí. Este setor também é o que mais protege as áreas naturais no mundo. Para cada hectare plantado para fins industriais, o setor protege outro 0,7 hectare em áreas de reserva. São 5,6 milhões de hectares de áreas naturais na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs), de Reserva Legal (RL) e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs).

 

Soma-se a isso o estoque de carbono dos plantios florestais. Em 2015, por exemplo, os 7,8 milhões de hectares do setor foram responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxico de carbono equivamente (CO2eq) – medida métrica utilizada para comparar o efeito dos vários gases de efeito estufa, baseada no potencial de aquecimento global de cada um. Além disso, o setor também gera e mantém estoques de carbono nos 5,6 milhões de hectares de áreas de conservação de vegetação nativa – essas áreas tem um potencial de estocar cerca de 2,48  bilhões de toneladas de CO2eq.

E estes são apenas alguns dos principais  atributosque colocam o País como potencial protagonista desta nova economia que passará a comandaro planeta. A solução para uma ação efetiva mundial passará pelo Brasil e pelas florestas plantadas. Resta saber, se desta vez, sentaremos na locomotiva ou apenas em um dos vagões que se seguem.

 

Para ficarmos num assento privilegiado, é necessário que o governo encare a floresta como um bem precioso e estratégico. Precisamos construir políticas e mecanismos de mercado que incentivem e valorizem economicamente estes benefícios climáticos, que serão moeda de troca para diversos países que compõe o Acordo do Clima.

 

Por Elizabeth de Carvalhaes

(*) Presidente Executiva da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Energia da International Chamber of Commerce (ICC) do Brasil

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