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iLPF – Ronaldo Trecenti – O que é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta?

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iLPF – Ronaldo Trecenti – O que é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta?

20/07/2016 – A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Sistema Agrossilvipastoril é uma modalidade de integração que contempla os componentes agrícola, pecuário e florestal, em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. O componente agrícola pode ser utilizado na fase inicial de implantação do componente florestal ou em ciclos agrícolas anuais durante o desenvolvimento do sistema. O componente pecuário, via de regra, é introduzido no sistema em substituição ao componente agrícola.

A ILPF é uma das quatro modalidades de integração que compõem os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Sistemas de ILPF), os quais constituem uma estratégia que visa a produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado e busca efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os Sistemas de ILPF são constituídos por quatro modalidades de integração: Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Sistema Agropastoril; Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Sistema Silviagrícola; Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Sistema Silvipastoril; e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Sistema Agrossilvipastoril.

Esses Sistemas fundamentam-se na intensificação do uso da terra em áreas cultivadas, na recuperação de pastagens degradadas, na diversificação de atividades na propriedade rural e no aumento da eficiência dos sistemas de produção, atendendo aos três pilares da sustentabilidade: ser economicamente viável, ambientalmente adequado e socialmente aceito.

Na ILPF preconiza-se o planejamento da distribuição espacial das árvores na área, objetivando a sinergia e/ou a menor interferência entre os componentes agrícola, pecuário e florestal. A distribuição espacial das árvores na área é mais conhecida como arranjo de plantio e deve facilitar a adoção de práticas de conservação do solo e da água, favorecer o trânsito de máquinas nas entrelinhas, possibilitar o crescimento adequado das culturas intercalares e observar os aspectos comportamentais dos animais, em especial o seu deslocamento e o senso de manada.

O arranjo de plantio mais simples e eficaz é o de renques ou aleias, isto é, o plantio de árvores em fileiras únicas ou múltiplas (duplas, triplas, quádruplas ou mais), com espaçamentos amplos entre si. Quando se deseja privilegiar a produção de madeira devem-se utilizar renques mais estreitos ou com maior número de linhas de árvores (mais árvores/ha); quando se dá preferência à produção de madeira de maior valor agregado (serraria) e à produção agrícola e/ou pecuária utilizam-se renques mais largos, com menor número de linhas (menos árvores/ha).

O plantio das árvores pode ser realizado no sentido leste/oeste em áreas com topografia plana para permitir maior penetração de luz nos cultivos intercalares. Em áreas com declividade, recomenda-se fazer o terraceamento e o plantio em nível visando a conservação do solo e da água.

Os benefícios da adoção dos Sistemas ILPF podem ser de ordem econômica, ambiental e social. Os principais benefícios econômicos são:

  • Redução ou viabilização do custo de recuperação/renovação de pastagens em processo de degradação ou degradadas;
  • Aumento da taxa de lotação das pastagens;
  • Aumentando da taxa de natalidade;
  • Aumento do ganho de peso animal;
  • Aumento da produção de leite;
  • Diversificação das atividades na propriedade;
  • Redução dos riscos climáticos e de mercado;
  • Melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo;
  • Redução na ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas, com consequente diminuição no uso de inseticidas, fungicidas e herbicidas;
  • Maior eficiência de uso dos fertilizantes pelas diversas culturas com diferentes sistemas radiculares;
  • Produção de forragem de qualidade na entressafra, com baixo custo, para alimentação animal na estação seca;
  • Eliminação de investimentos na construção de sombra artificial aos animais, sobretudo para gado de leite;
  • Otimização do uso de máquinas, equipamentos e mão de obra;

Redução dos custos com insumos, tanto na atividade agrícola quanto na pecuária;

  • Aumento da produção por unidade de área;
  • Aumento da competitividade do agronegócio brasileiro;
  • Agregação de valor à produção;
  • Aumento de renda da propriedade.

Os benefícios ambientais mais relevantes são:

  • Maior taxa de infiltração e armazenamento de água no solo;
  • Controle de erosão;
  • Redução de perdas de nutrientes do solo;
  • Uso racional de agrotóxicos e consequente redução dos riscos de intoxicação e de contaminação do ambiente;
  • Melhoria das condições de ambiência animal (proteção contra tempestade, ventos frios, granizo, altas temperaturas) pelo sombreamento das pastagens, reduzindo o estresse dos animais;
  • Redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE);
  • Sequestro de carbono pela biomassa aérea e radicular das árvores e da forragem;
  • Mitigação do desmatamento pelo aproveitamento de áreas degradadas.

Como benefícios sociais da adoção dos Sistemas ILPF destacam-se:

  • Geração de empregos;
  • Redução na sazonalidade de uso da mão de obra na propriedade;
  • Necessidade de capacitação técnica dos colaboradores;
  • Incremento no valor da remuneração pela qualificação do trabalhador;
  • Melhoria da renda e da qualidade de vida na propriedade rural;
  • Maior oferta de alimentos, fibras e agroenergia com sustentabilidade.

É fundamental que seja realizado o planejamento para implantação da ILPF, levando-se em consideração diversos fatores, como:

  • Condições edafoclimáticas (tipo de solo, topografia, altitude, precipitação, temperaturas máximas e mínimas, umidade relativa do ar e ventos);
  • Atividades já desenvolvidas na propriedade e o saber local;
  • Demanda de mercado para os diferentes produtos da ILPF;
  • Recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis;
  • Possíveis fontes de financiamento;
  • Disponibilidade de assistência técnica;
  • Oferta de insumos (corretivos, fertilizantes, sementes e mudas), de serviços e de mão de obra;
  • A infraestrutura disponível na propriedade e na região para armazenamento e/ou processamento da produção;
  • A logística de transporte da produção.

O planejamento prevê a elaboração de um projeto, por um técnico capacitado, que necessitará fazer um diagnóstico da propriedade, por meio de uma visita técnica. O projeto deve conter todas as etapas de trabalho, desde o preparo da área até a colheita e a comercialização dos produtos, com as recomendações para implantação e condução do da ILPF, devendo contemplar as demandas de insumos, serviços e mão de obra, com um cronograma de atividades e de desembolso, a análise de viabilidade do empreendimento com o fluxo de caixa, além das avaliações periódicas de desempenho.

Existe uma linha de crédito que financia projetos de implantação da ILPF. Trata-se do Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC). O projeto deverá ser elaborado por técnico credenciado pelo agente financeiro e os custos de elaboração e de assistência técnica para a sua implantação podem ser inseridos no financiamento.

Espera-se que com a adoção da ILPF em 4 milhões de hectares até 2030 o Brasil consiga cumprir as metas voluntárias de redução de emissão de GEE, assumidas em 2009, na COP 15, em Copenhague, e ratificadas e ampliadas em 2015, na COP 21, em Paris.

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Ronaldo Trecenti - iLPF
Ronaldo Trecenti - iLPF
Ronaldo Trecenti é Consultor ILPF – Vetor Agroambiental – Contatos: [email protected] / Skype: ronaldo.trecenti
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