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C&P: Queda nos preços e real mais forte mantêm pressão sobre fabricantes

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C&P: Queda nos preços e real mais forte mantêm pressão sobre fabricantes

09/11/2016 – O excesso de oferta de celulose no mercado global está deixando os fabricantes de celulose apreensivos. Com a incerteza sobre o volume após entrada de novas capacidades e seu efeito sobre os preços, executivos estão cautelosos.

“O cenário indica uma queda nos preços da celulose e sabíamos que a definição do cenário político se refletiria em mudanças no câmbio, fatores que roubam rentabilidade das empresas”, afirmou a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, em evento do setor.

A dirigente sintetizou o que executivos têm avaliado. Com a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses e a redução nos preços da polpa, as perspectivas de melhora na rentabilidade estão mais distantes de se concretizar. No entanto, fontes reforçam que a demanda global não apresenta retração.

O presidente da Suzano, Walter Schalka, destacou que os preços da celulose continuam em patamares baixos e o câmbio não está favorável. Em resposta a esses fatores, a companhia já estuda reduzir o volume de produção no próximo ano. “Anunciamos uma possível adequação de produção em 2017, se preço e câmbio não estiverem nos patamares ideais. Também iremos postergar a entrada do projeto 5.1 para 2018”, comentou o executivo, em teleconferência com jornalistas nesta quarta-feira (26). O projeto 5.1 eliminará gargalos na unidade da Suzano no Maranhão.

O desempenho da companhia no terceiro trimestre, divulgado ontem, refletiu a pressão sobre os preços. A receita líquida foi de R$ 2,173 bilhões no período, queda de 27,2% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. A retração foi atribuída ao recuo nos volumes exportados, menor preço e valorização do real. Na contramão, reajustes nos preços praticados nas linhas de papel no mercado brasileiro ajudaram a mitigar perdas.

Para o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich, a perspectiva dos preços da polpa chegarem a US$ 450 por tonelada é desesperadora e reflete o excesso de oferta. As capacidades de produção que têm sido encerradas em outros países, lembrou ele, têm sido pequenas frente a expansão da oferta com novas fábricas entrando em operação.

“Como parte dos clientes espera alta na oferta, muitos estão reduzindo estoques para recompor nos próximos meses com preços menores”, disse o executivo. Mas caso a fábrica da Asia Pulp and Paper (APP) na Indonésia demore para entrar em operação, o preço da celulose pode apresentar uma recuperação relativamente rápida. Executivos e especialistas do setor não sabem precisar quando a unidade da APP entrará em operação, mas a expectativa é que isso ocorra entre o final deste ano e os primeiros meses de 2017.

Aposta

Para Grubisich, o aumento no consumo de papéis destinados a higiene no mercado asiático é um dos fatores que podem favorecer a indústria brasileira de celulose, ajudando a equilibrar a oferta. “O segmento de tissue e papéis especiais são os que mais crescem”, afirmou.

Elizabeth, da Ibá, vê a demanda por celulose para este tipo de produto como um dos principais vetores de crescimento das exportações nos próximos anos. “A China está preocupada em estimular o consumo interno e isso passa por papéis sanitários, cuja demanda hoje é quase inexistente. Então tem muito espaço para crescer”, explicou ela.

A celulose fluff, destinada a produtos sanitários e que começou a ser produzida no País recentemente, continua avançando. Segundo o presidente da Suzano, as vendas crescem e a carteira de clientes também está em expansão.

fluff“O volume de fluff vem crescendo todos os meses e já temos muitos clientes com operação comercial [usando o produto]. E estamos exportando para a China, o que tem sido bastante positivo”, disse Walter Schalka, na teleconferência com jornalistas.

O executivo lembrou que a tonelada deste produto tem uma tendência de preço de US$ 100 a US$ 120 dólares acima do valor praticado para celulose de mercado. “Essa diferença tem se mantido, apesar da redução no preço da celulose se refletir, sem dúvida, no fluff”, completou ele.

Fonte: DCI

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