Administração das empresas e a preparação de recursos humanos – estados de consciência

Comentárista CeluloseOnline

Comentarista CeluloseOnline

23/12/2011 – Raras são as empresas em que não há problemas de contratação de recursos humanos com qualidade. Raras são as empresas em que em que não ocorre o problema da perda dos poucos talentos disponíveis. Muito se fala dos problemas de educação em todos os níveis da educação.

Vamos dar uma olhada nesse tema a partir de novas visões. Mathews Crawford, no livro “Shop Class as Soul Craft” nos apresenta algo muito intrigante. Antes da existência das linhas de montagem, o que tínhamos como classe trabalhadora eram os artesãos. Eles faziam o ciclo completo do processo produtivo. Havia visão de conjunto. Havia visão de processo.
Havia inteligência.

Quando se instalaram as primeiras linhas de montagem, houveram problemas. Os artesãos não gostavam de trabalhar nesse tipo de organização. Para manter 100 colaboradores no trabalho era preciso contratar mais de 1.000.

O que estava acontecendo? O que se queria nas linhas de montagem era apenas a valorização de um processo repetitivo. Nada de visão de conjunto, nada de visão de processo integrada na tarefa. Apenas o trabalho pelo trabalho, com zero de inteligência. Charles Chaplin retratou muito bem o fenômeno.

As linhas de montagem foram valorizadas por todos. Produziram no seu tempo os resultados desejados.Viraram exemplo para a Academia. Sucesso econômico, desastre humano.

Milhões de trabalhadores, em todo tipo de atividade foram condicionados a trabalhar sem pensar. A trabalhar sem ver. A trabalhar sem olhar o que acontece ao seu redor. Preocupação com o “eu” e distância do “nós”. Nisso tudo, a Academia entendeu ser bom o que o quevestava acontecendo. Desse fenômeno nasceu o treinamento mecânico, que tantos recursos
consome sem produzir os resultados que são tão necessários.

O que mais acontece é que se trata do que é preciso fazer como tarefa e dentro dessa linha de pensamento não se trabalha as razões do que deve ser feito. Não se discute as razões do conjunto de tarefas das quais cada colaborador participa.

Um dos sintomas claros dessa distorção que vem desde a Academia, está no tema da descrição de funções. Descrição de função é tratada no indivíduo, no individual. Acontece que a função ocorre em um ambiente coletivo. A função ocorre em cadeias de processo.

Visão de conjunto. Descrição de função deve portanto começar na relação interna “cliente & fornecedor” em cascata. Somente depois deve tratar o individual.

Vem então a pergunta: o que está realmente acontecendo? A oferta é de ensino mecânico. A grande necessidade das empresas está na criação de estados de consciência coletiva sobre o que precisa e deve ser feito. Somente a partir desta criação de Estados de Consciência, ficam estabelecidas as condições de contribuição ideal por parte de cada colaborador.

Recentemente em debate com um diretor de empresa ouvimos o seguinte comentário: a busca de estados de consciência nas cadeias de processo transformou a empresa. Ela agora é outra muito mais confiável. Os colaboradores mantém seus objetivos com muito mais facilidade.

Necessidade de supervisão do trabalho diminuiu. Diminuição dos níveis de hierarquia. Qual está sendo o resultado de tudo isso? Aceleração da velocidade das tarefas, menos trabalhos refeitos, diminuição do custo oculto. Nisso tudo, um importante resultado: os colaboradores gostam do que fazem e buscam a integração no trabalho. Eles ficam, permanecem na empresa.

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