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E se seu resíduo gerasse uma renda extra?

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E se seu resíduo gerasse uma renda extra?

Resíduo é tudo aquilo que rejeitamos na cadeia de produção e consumo por não apresentarem mais, aos nossos olhos, valor econômico. E se as limitações tecnológicas e de mercado para reinserir o lixo em cadeias produtivas não existissem mais? O mau gerenciamento dos resíduos acarreta em perda de oportunidade e dinheiro. Resíduos de madeira e outros provenientes da arborização urbana tem resultado em altos custos para cidades brasileiras que produzem volumes gigantescos na ordem de centenas de toneladas por mês. Grandes áreas são requisitadas para armazenamento deste resíduo classe II (Não Perigosos), que quando acumulados aumentam o risco de incêndios, afetam negativamente a paisagem e podem poluir ar e água.

O não aproveitamento deste resíduo como potencial energético implica certamente em perda de dinheiro.

A gestão consciente de resíduos verdes deve aplicar práticas adequadas para sua valorização, infelizmente se sabe que a maior parte deste material é descartada de forma ilegal em terrenos baldios, lixões ou ainda nos famosos “bota fora” (aterros não autorizados/ilegais).
A falta de fiscalização nos municípios que produzem grande quantidade de resíduos verdes acaba incentivando ainda mais a criação destes “bota fora” contribuindo diretamente para a destruição do meio ambiente.

A principal vantagem de reutilizar a madeira descartada é a reinserção da matéria-prima na cadeia produtiva, contribuindo positivamente para o meio ambiente, reduzindo impactos socioambientais e gerando renda.

A valorização dos resíduos é indicada como uma alternativa econômica, social e ambientalmente adequada. Muitas empresas passaram a atuar nesta cadeia produtiva e desenvolvem estratégias direcionadas para melhor aproveitarem os resíduos de madeira e da arborização urbana além de usufruir do marketing verde, atraindo consumidores que estão atualmente avaliando empresas através do cuidado que elas têm com o meio ambiente.

A empresa paranaense Byocom é um exemplo de sucesso, a empresa recebe os resíduos da poda da arborização urbana dos municípios que contratam seu serviço e transforma este em biomassa para a geração de energia.

A planta possui pátio asfaltado de 1000m² disponíveis para armazenamento da madeira e chega a receber diariamente 250 toneladas de resíduos de poda urbana e madeira em geral. Esta madeira permanece por 120 dias pré secando até atingir umidade de equilíbrio com o ambiente.
A Byocom Biocombustíveis tritura todos os resíduos madeireiros em três Trituradores Primários com capacidade de processar 45 toneladas/hora cada, todos fornecidos pela a empresa Siebert, e uma peneira para classificação.

O barracão evita paralisações da máquina por causa de chuvas, bem como o umedecimento da biomassa, descartando a fermentação da madeira triturada armazenada e eliminando os riscos de incêndios.

Os Trituradores são equipados com um separador automático de metais, que ao serem detectados são rapidamente eliminados do processo.
A empresa realiza tambémuma classificação posterior por peneiras logo depois a saída do material do triturador, classificando-oem dimensão.
A biomassa é classificada também de acordo com sua composição, sendo que parte do resíduo recebido para o beneficiamento é constituído de painéis de madeira que possuem resinas adesivas fenólicas, indesejáveis por alguns clientes.

Da quantidade total de resíduo triturado, 25% é comercializado como composto orgânico para adubação e o resto vira biomassa vendida para indústrias madeireiras da região.

O tratamento de resíduos com este triturador de tecnologia alemã, podendo ser estacionário ou móvel, é capaz de diminuir a dimensão de vários tipos de resíduos sólidos como os industriais, comerciais, agroflorestais, produzidos pela construção civil em sua totalidade e RSU (Resíduo Sólido Urbano) em geral.

Com isso ocorre a otimização do espaço, facilitando assim a estocagem, distribuição e venda deste desde resíduo, que agora é produto.
Os trituradores primários são uma ferramenta ideal para reduzir a dimensão de resíduos para etapa posteriores de processamento. Outras soluções já começam a ser discutidas no cenário brasileiro como o CDR ou combustível derivado de resíduos. O termo se aplica a materiais com um poder calorífico elevado (normalmente, cerca de 18 MJ/kg), recuperados da coleta de resíduos que produzem energia para processos industriais que segundo FADE-UFPE (2014) beneficiam fornos de cimento e as centrais de energia elétrica.

Após a trituração dos RSU, prensagem e empacotamento, o combustível está pronto para geração de energia. Outro apelo interessante do CDR é a considerável redução de volume para transporte, otimizando a logística, beneficiando o lixo e o reinserindo na cadeia produtiva.

O poder calorífico (PCI) do CDR é o principal fator que determina e limita o uso para a geração de energia e quanto maior o volume de resíduos de madeira, papel, papelão e resíduos de poda da arborização urbana, por exemplo, maior o PCI do CDR e melhor será a demanda por esse produto no mercado. Infelizmente algumas barreiras legais ainda existem para o uso extensivo desta tecnologia pouco discutida no Brasil.

Há muito a se fazer no âmbito de tratamento de resíduos no cenário nacional. É preciso que os geradores de resíduos verdes como as prefeituras municipais, se articulem e definam claramente as suas responsabilidades.

 

Eu quero aprender como transformar meu resíduo em lucros para minha empresa

 

A trituração atua decisivamente na reinserção destes detritos, seja ela para fins energéticos ou de compostagem. A atividade deve atender a demanda não apenas de municípios, mas também de empresas que possuem em seu processo produtivo excesso de resíduos madeireiros e não madeireiros ainda inutilizados, proporcionando tratamento ambientalmente responsável e desenvolvendo um ciclo sustentável baseado na cadeia produtiva do que antes fora considerado apenas lixo.

Por Emilin Joma
Eng. da Madeira
Revisão
Diogo R.Silva
Eng. de Processos

Fonte: MaisFlorestas

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